Educação e sensibilização para cultura da leitura

No dia 13 de fevereiro fomos chamados a reflectir sobre o incentivo à leitura e promoção do acesso ao livro. Comigo estavam Ana Albasini, coordenadora do projecto Mabuku Ya Hina, implementado pela Escola Portuguesa de Moçambique, Constante Michel, coordenadora da Associação Chapateca e Susana Damasceno presidente de direcção de AIDGLOBAL.
Já no dia anterior tinha sido debatido o mercado editorial e a distribuição do livro, dois assuntos muito bem abordados em grande reportagem no jornal Notícias do dia 19 de Fevereiro. Mas lá foi incisivamente levantado o Plano Nacional de Leitura, tal instrumento que sucumbe nas gavetas dos ministérios. A missão ficará agora para este ciclo de governação que iniciou, se for de interesse. O plano pode ser um bom impulso para a venda de livros e ajudar na sustentabilidade das editoras, uma vez que, pressupõe a compra de livros de ficção pelo Estado para distribuição nas escolas. Mas também seria importante para o incentivo à leitura, uma vez que, em princípio, os alunos do Sistema Nacional do Ensino teriam como recomendação curricular (quase obrigatório) a leitura de ficção. Mais ainda, o plano é fazer chegar do Rovuma ao Maputo a literatura nacional, por tanto, um bom princípio de distribuição. Um instrumento e todas as “aldeias” curadas dos seus males. No final, haveria mais leitores.


A partir do trabalho desenvolvido por Mabuku Ya Hina, Chapateca e AIDGLOBAL olhamos para as soluções possíveis a partir de uma abordagem diversificada, que se estende por diferentes espaços nacionais, mas que o fim é o mesmo: pôr as pessoas a ler, como uma experiência de lazer, aprendizagem e desenvolvimento cognitivo. Não se trata de combater o analfabetismo, de dar acesso à escola, é dar instrumentos para o desenvolvimento humano, treinar o pensamento, a imaginação, a criatividade, a retenção do conhecimento e até contribuir para o exercício de cidadania. Isto é, conferir criatividade, imaginação e liberdade à instrução escolar.
Ditas assim as coisas, parecem apenas palavras bonitas, até porque os impactos destes projectos, caminham com a vida das pessoas. A capacidade de ler e compreender, reflectir sobre os processos, a interpretação, a formação do discurso por meio das palavras, as relações humanas, o saber dar importância o que está para além do tangível, através da leitura de ficção, demanda tempo.


Perceberam-se as complexidades do problema que a falta de leitura e o que causa a falta de livros no espaço público. Mas foram os pequenos gestos que ampliaram o horizonte sobre o que ainda se pode fazer:

  1. A multiplicação e criação de mais iniciativas de promoção de leitura na primeira infância por todo o país.
  2. Aposta na formação dos professores para o fomento de hábitos de leitura.
  3. Mais publicação de obras para a infância por autores moçambicanos, incluindo, claro está, o respectivo apoio às editoras para a sua edição.
  4. A necessária criação de instrumentos e sua implementação pelo Governo para programas de incentivo à leitura.
  5. Mais parcerias para que estas iniciativas cheguem a mais províncias de Moçambique.
  6. É preciso acções que incluam os jovens nos programas de incentivo e promoção da leitura.
    Escusado será dizer que para tudo isto é preciso financiamento, esse que se estende desde aos programas de criação literária (para que os escritores tenham condições para escrever), produção de livros, circulação e programas de incentivo à leitura.

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Sobre

EDUARDO QUIVE é jornalista e escritor, baseado em Maputo. Sou trabalho inclui a produção de reportagens multimédia. É autor de dois livros de poesia, um de contos e co-autor de e co-organizador de mais de cinco colectâneas de contos. Ler Biografia

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